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Recomendações cinematográficas.

Outubro 11, 2008

Hoje estou dando as graças para comentar sobre um filme que assisti logo à tarde, na presença da minha infalível fonte de bons filmes (afinal essa é uma das funções primordiais que considero em um namorado).

Lucas sempre me entope de filmes. Mas de bons filmes. Tirando “2001:Uma odisséia no espaço” com sua cena clássica em que um primata golpeia ossos, e que me proporsionou umas boas duas horas e poucas de sono.

Ainda que considerado um dos melhores filmes de ficção científica, é especialmente massante quando se passa dez minutos vendo homens flutuar em gravidade zero dentro de uma espaçonave.

A Space Pdyssey

2001:A SpaceOdyssey

Todo o resto que ele me passa vale a pena investir em alguns momentos de atenção.

Neste post vou comentar sobre “Martian Child” que aqui no Brasil recebeu o título de “Ensinando a viver”.

Martian Child

Martian Child

O filme é absolutamente perfeito. David (John Cusack) é um cara que perdeu a mulher a dois anos. Ele é chamado na fila de adoções de um orfanato. David ainda está arrasado e não sente motivação nenhuma de adotar uma criança, que era um desejo da esposa dele. Até que conhece Dennis. Dennis é um menino de outro mundo, pelo menos é o que ele diz. Segundo ele, veio de Marte, e está na Terra para uma missão. Tem medo do sol e passa as manhãs dentro de uma cixa de papelão para se proteger dos raios. Usa um “cinto de pesos”, que na verdade são pilhas, para prendê-lo à Terra, porque diz que a gravidade de Marte sempre o está puxando. Sendo assim tem mendo de sair flutuando por aí. Obviamente todo esse comportamento dele não é mero detalhe, não tem amigos e é pouco sociável. David vê que se assemelha com Dennis, porque também era dito “estranho” e tinha poucos amigos na infância. Então ele decide tentar. Não é uma tarefa fácil adotar uma criança que foi abandonada e sofreu abusos emocionais. Mas eles se descobrem com o tempo e passam a fazer parte essencial um do outro. O filme é legal porque não é melodramático, é simples em sua essência, mostra a persistência de David mas também seu desânimo quando vê que as coisas não estão indo bem. Ainda assim ele insisti.

Tem no filme uma personagem muito bacana. É uma amiga de David, não me recordo do nome dela agora. Mas é muito legal. O tipo de mulher divertida e companheira. Me liguei no estilo dela. Saia comprida e allstar. Muito massa.

Minha descrição não ficou lá essas coisas. Morreria de fome se minha vida dependesse disso. Com certeza fiz um monte de spoiller como a boca aberta que sou. Mas talvez tenha servido para levantar a curiosidade de vocês. Assistam ao filme!

No próximo post vou falar sobre mais dois filmes que vi recentemente,mas que não pude postar por falta de tempo e criatividade.  São o “CJ7″ e “Toki wo kakeru Shoujo (A garota que podia viajar no tempo)”

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A carta.

Setembro 24, 2008
Tristan e Isolda

Tristan e Isolda

Lady I.

Quando o céu desabar em luzes e o chão pegar fogo, e tudo ficar com gosto de sangue e dor, saiba meu amor, estarei com você. Não importa o tamanho do colosso que te ataca, o degolarei e brindaremos a isso.

Se a morte sorrir para você, a esmurrarei e lhe roubaremos as vestes negras. Com ela cobriremos nossos corpos nus durante à noite.

Sou um semi-deus por tais feitos heróicos?

Se sou, é por causa da ambrosia de seus lábios, é por causa de seu olhar inquisidor, é por causa de seu corpo que me prende em suas pernas.

Caminharemos pelo mundo e nada nos abaterá, nem a fúria de anos vindouros. Pode vir o mundo, estarei pronto para quebrar-lhe todos os ossos, aniquilar tudo e todos que se impuserem em nossa trilha. Às nossas costas formá-se-ão poças de sangue, vívido e doce. À nossa frente manteremos caminho livre e de possibilidades infinitas para nossa paixão.

Sir T.

Tristan e Isolda

Tristan e Isolda

Escrevi essa carta me baseando no conto lendário de Tristan e Isolda.

A lenda em si remonta ao século IX, mas suas versões escritas apareceram apenas por volta do século XII em várias culturas medievais. Dentre as mais antigas fontes e versões está a advinda do folclore celta do norte francês.

Dois poetas da época, Tomás da Inglaterra e Béroul detêm os primeiros textos mais conhecidos e, apesar de pequenas diferenças, ambos possuem a essência da história.

Secundariamente a esses dois autores, há muitas outras versões. Há inclusive uma versão arturiana do século XIII que inclue Tristan em um texto chamado “vasta prosa de Tristão” como um dos reis presentes à Távola Redonda. Participa também curiosamente da busca pelo santo graal. Logicamente que o triângulo amoroso entre Rei Arthur, Rainha Guinevere e Sir Lancelot está presente também, como um autêntico conto arturiano.

O.O’

A lenda influenciou também muitas obras posteriores, como os poemas de Arthur Brooke, de 1562, que por sua vez influenciou William Shakespeare, dramaturgo do século XVI, em “Romeu e Julieta”.

E claro, também sensibilizou, entre 1857 e 1859, Richard Wagner, um fodástico compositor alemão, detentor da autoria de “cavalgada das valquírias”, que compõe Tristão e Isolda, ópera em três atos, baseada na lenda.

Finalmente tudo foi parar no cinema. Primeiro em preto e branco, em 1909, no cinema mudo francês, intitulado “Tristan et Yseult”. Depois em “O Eterno Retorno”, em 1948, uma versão um tanto moderna para os parâmetros medievais do mito. E finalizando, em 2006, produzido por Ridley Scott, e estrelado por James Franco, o filme “Tristan  & Isolde”.

Tristan & Isolda

Tristan & Isolde

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Uma agulha no palheiro.

Setembro 9, 2008

Fato, estou escrevendo sobre forte influência de um filme  de drama romântico a que assisti. “Griffin & Phoenix”, com Amanda Peet e Dermont Mulroney, aqui no Brasil intitulado “O amor pode dar certo”. Simplesmente perfeito. Preparem uma boa reserva de pipoca e muitos lencinhos de papel caso pensem em assistir a esse lindo filme.

Griffin & Phoenix

Griffin & Phoenix

É uma produção muito especial. Conta a história de um casal que se ama muito e faz coisas legais e especiais juntos. Eles querem aproveitar cada segundo, porque resta muito pouco para os dois. Contudo não vim aqui para comentar sobre o filme. Reservo-me apenas ao direito de permanecer sobre a influência dele e desabafar experiências próprias, magníficas experiências. De fato, isso não me é esforço algum. Já que o filme foi uma espécie de exteriorização do que acontece comigo.

Conheci meu atual namorado no último ano do colegial. Beijei-o  ao lado da fonte do colégio. E instantâneamente ocorreu um pedido de namoro. Foi aceito com um pouco de desconfiança, não posso negar. Mas valeu arriscar.

Ele é meu melhor amigo. E embora ninguém me entenda realmente, ele é o único que tenta exaustivamente me compreender. Agradeço ao esforço Luquinha. \o

Lutei com ele diversas vezes. Ganhei todas! TODAS! Mas o resultado não pode ser chamado de justo. Querendo ou não, sempre pegou leve comigo. Porque sou mulher e porque carrego o nobre título de namorada. Como vale tudo, posso utilizar dessas vantagens para triunfar soberanamente sempre.

*risada maléfica* 

Bem feito se ele me trata como “café com leite”.

Ele é o único que come meus sanduíches com cara de nojo e diz que está ótimo. E depois quando pergunto várias vezes ele acaba confessando: “Tá horrível, o que é esse troço amarelo?” 

Ele é o cara que beijei na chuva. Ele é o cara que jogou folhinhas no meu cabelo para mostrar como é legal se sujar. É ele que defende as pobres formigas do mundo de mim. É ele que defende eu do mundo. Ele plantaria bananeira no Saara por mim. E eu imitaria ele. Seríamos dois idiotas apaixonados torrando num deserto.

Faz-me rir, porque é a pior imitação de português que já vi na vida, puta-merda o pá! E ele atura todas as piadas que eu conto, isso é que é amor!

Por falar em piada:

Mineiro: “Tô com vontade de comer um trem!”

Gaúcho: “Tchê …

…tchê

…tchê … tchê..tchê-tchê-tchê-tchê-tchê!”

huahuahahuhuahuahuahuahuahuahauhauhau!!!

Em um momento complicado estive com ele, quando alguém foi embora pra sempre. E quando o clima ficou sufocante, fomos a um prédio em construção abandonado e ficamos na beira olhando a rua embaixo. Ele deitou no meu colo e eu fiz cafuné nele. Eu cuidei dele.

Ele me traz barras de chocolate derretidas, me dá miniaturas de bichinhos de pelúcia. Tenta fazer lavagem cerebral para que eu goste de Final Fantasy e conspira para que um dia eu desenhe sem por os narizes nos pobres coitados, como em Tactics. Ele faz macarrão com linguiça, e fica perfeito. Ele faz panquecas. Ele prepara sorvete com leite condensado, cobertura e castanhas para ver eu comer tudo gulosamente e me melecar toda. Ele tem bons filmes, boas músicas, ótima conversa, um abraço maravilhoso, um senso de humor diferente e perfeito. Ele não tem senso nenhum de moda mas ama me ver de vestido. No guarda-roupa de ‘Blue’ tudo é azul.(piada interna)

Luquinha reclama que não existem muitas meninas que curtem games. E que seria perfeito namorar uma (no caso fazendo chantagem para que eu seja assim)  que fosse capaz de vencê-lo no smash bros. Mas não se dá conta que as pobres garotas foram banidas dos controles pelos próprios meninos. Perdi as contas das vezes em que fui deixada de lado enquanto “os moleques” jogavam. Em aniversários, pelos primos, enfim…. um dia desisti… me resignei ao Super Mário Bros sem save do meu nintendo.

Eu adoro seus olhinhos indígenas, meigos e pequenos. Amo ouvir o som da sua risada. Seu tom de razão quando fala sobre algo que julga ter domínio.

Eu o amo em todos os sentidos. Todos os momentos juntos dele são surreais. Ele faz parte de mim. Faz parte do meu corpo. Ele sou eu.

 

Lucas

Os olhinhos que mais amo no mundo. (...) Não, ele não é japonês!

 

Trecho dedicado ao Sr° Leonardo Triandópolis Vieira;

Mediante falsária acusação, de tom inegavelmente maldoso.

 E que fique bem claro, nosso relacionamento não se baseia em coisas secundárias e triviais. Não estamos juntos por ideais, estamos juntos por amor. Não queremos construir uma empresa. Queremos construir uma vida. O resto é consequência.

=P

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Um quadrúpede motorizado

Agosto 29, 2008

Eis a cena.

Estamos entrando numa rotatória, no carro, meu pai e eu.

Quando estamos começando a fazer a curva, um motoqueiro mergulha na frente do carro.

Ele derrapa, mas não cai.

Ele pára a moto, desci dela, sai xingando e mete seu pezão de quadrúpede no NOSSO retrovisor esquerdo.

 

Embora eu estivesse com muita vontade de rebaixá-lo ao nível do chão, meu pai permaneceu inflexível no banco do motorista. Pediu para anotar a placa do infeliz. Eu o fiz, desejando esganar o dito motoqueiro.

 

Primeiro que a reação do meu pai foi quase divina. Segundo que a minha, ao contrário, foi quase gutural. Um fenômeno estranho, geralmente os papéis são o contrário. Ele esbraveja no volante e eu fico na minha.

 

Agora vamos definir o que eu senti.

Não posso dizer em palavras, por mais que eu tente, o quanto de raiva surgiu de ímpeto dentro de mim. Quando disse que minha vontade era esganar o paquiderme, não foi por força de expressão. Adoraria por minhas pequenas mãos nele e pressionar com toda a minha força aquilo que ele chama de pescoço.

 

Posso me tornar bastante agressiva quando alguém consegue atingir minhas camadas mais profundas. Infelizmente aquele pseudo-homem com rodas conseguiu me deixar realmente furiosa. Ainda estou fervendo, mas uma parte de mim diz: “Pobre idiota, o infeliz não tem grana para um carro nem para combústivel, e com certeza deve ter achado o máximo deixar o ‘busão’ de lado para ter uma ‘bicicleta com motor’”.

 

Mas só Deus sabe, que pela integridade física dele, deveria voltar a andar de ônibus, e ficar bem longe de mim.

^ ^

 

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Ruas estreitas, ladeiras por todos os lados, estou em casa.

Agosto 26, 2008

Presidente Prudente

Presidente Prudente

 

 

 

Panturrilhas saradas. Definitivamente, se reconhece um prudentino por suas panturrilhas. Ô ladeiras lazarentas! E que ruas! As ruas são tão estreitas quanto as ruelas de Portugal, vá ser apertadinho assim no escafundó de Judas!

 

As casas são amontoadas em cima das outras, como é comum no estado de São Paulo, as ruas são estreitas (e as calçadas também),e posso dizer literalmente que a vida de alguém que more em Presidente Prudente é cheia de altos e baixos. Apesar disso eu gosto (um pouco) daqui. Minha família está aqui. Parte da minha infância ficou aqui. Posso rever minhas tias e tios, parte dos meus primos e ver os móveis que meus avós deixaram. Posso enxergar partezinhas deles aqui e acolá, na cômoda, na prateleira, nos armários, na louça antiga. Eu respiro tudo isso e me dá muita calma. O ar entra morno e com cheiro de café fresco e bolinhos de chuva.

 

Viajei nesse último sábado (23/08/2008) logo depois do almoço. São cinco horas de viagem. O asfalto é terrível e o pedágio é um ultraje à minha inteligência. A paisagem se consiste em plantações, pastagens e cerrado. É legal atravessar o Rio Paraná e sentir passar as fendas de dilatação da ponte. Também é curioso ver a capacidade do paulista para fazer presídios. Nessa região têm muitos. Mas é legal vê-los à noite. Eles brilham dizendo: ”Estamos consertando o mundo amontoando a corja humana. Vejam como nosso senso de justiça é supremo e inabalável!” Um tanto irônico, infelizmente. Outro fato interessante é o oeste paulista ser recheado de presidentes. Presidente Bernades, Presidente Venceslau (me corrijam se eu estiver errada, até hoje não sei se é com ‘v’ ou com ‘w’, e mais um monte de gente também, porque de um lado do trevo o nome está com ‘v’ e do outro está com ‘w’), Presidente Epitácio, Presidente Prudente. A República Velha é lá, sem sombra de dúvida. Ah sim … tem uma coisa em Prudente porém que eu nunca vi em nenhum outro lugar. Essa iguaria magnífica se chama molho verde. É simplesmente maionese temperada com cheiro verde e um dente de alho, mas posso dizer que isso no lanche faz loucuras com suas papilas gustativas.

 

Cheguei por volta das oito horas. E fui muito bem recebida por uma de minhas tias, Conceição Aparecida, que arrumou uma boa mesa de café pra receber a gente. Os dias que se seguiram foram na companhia de parentes na qual muita saudade foi morta a golpes de foice. E de quebra conheci a mais nova integrante da família, Maria Clara. Seja bem-vinda linda!

 

Hoje à tarde fomos ao centro da cidade para ver vestidos de festa e outras coisinhas. Estava quente e tinha muita gente nas calçadas. Para desviar delas tínhamos que dar a volta passando por trechos de asfalto. Sim, cabem três pessoas lado a lado na calçada.

… u.u

Vimos vestidos lindos, mas mesmo o nosso bom gosto não nos qualifica como dondocas para derramar tanto dinheiro assim trivialmente. Sim, estenda que eles eram caros. Mas talvez não. Nós é que somos quebradas… u.u

Enfim…

Eis que voltamos para a casa da minha tia. Desde então me sentei aqui de fronte ao pc do meu primo (que por sorte foi pra faculdade e deixou o pc livre) e tomei vergonha na cara o bastante para atualizar as coisas por aqui.

 

Devo voltar amanhã depois “das duas da tarde”, dar adeus aos presídios brilhantes, as ruelas daqui, a minha família perfeita, e depois de cinco horas de viagem, estarei de volta a minha amada Campo Grande. Longe da minha família, mas perto de amigos queridos, pessoas brilhantes e o Srº Lucasmetidoasabichãoqueeuamomuito.

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Retrospectiva dos vinte.

Agosto 1, 2008

Tudo começou na Santa Casa de Presidente Prudente. Lá pelas tantas do almoço eu dei as caras. Eram 30 de julho de 1988. Um dia um tanto frio. Levei a palmada na bunda de praxe e fui com a cara e a coragem para esse mundo de merda. Um rechonchudo bebê como eu não poderia adivinhar a enrascada em que se meteu. Foi uma troca injusta! Um útero fofinho e quente, comida de graça, sem preocupações. E segundos depois estou sendo espancada por um cara mascarado. Socorro! Exijo ser ressarcida!

 

Tive uma infância gostosa e sadia. Machuquei-me, pulei muros, mamei mamadeira até meus oito anos (meu sorriso não deixa mentir, XB). Enfim, vivi alegremente em Prudente com meus avós, tios e tias, e toda a orla de primos até fevereiro de 1996. Então em vim para Campo Grande depois de uma crise que meu pai teve nos negócios.

 

Começamos praticamente do zero. E em nosso caminho surgiram pessoas legais que serviram de boas muletas.

 

Entrei no segundo ano do primário no Colégio Mace. Não me adaptei muito com as crianças de lá. Não tinha muitos amigos, não saía de casa para ir à casa de outras crianças, nem mesmo as do bairro. As únicas crianças com quem brincava eram da igreja. Todas as terças eu tinha um grupinho para soltar a franga. E eu me contentava em ficar rodando bobamente em volta do meu próprio corpo. Era essa uma de nossas brincadeiras. Sim, eu era uma criança feliz.

 

Não gostei da cidade até uns cinco anos em que morei aqui. A partir daí me acostumei e até fiz alguns amiguinhos.

 

Eu fui crescendo. Entrei na puberdade e… onde estão os garotos? Bem, eu não era muito aberta a esse tipo de coisa. Repelia todos eles. Aliás, os poucos que me apareciam. Lembro de uma coisa. Eu estava conversando com um menino da sala de aula e ele perguntou se eu não tinha ficado com ninguém. Eu disse: ”Claro, eu estou com você agora.” Oh, pobre inocente. Tirando esses “furos” acho que me sai bem nos poucos foras que dei. Eles sempre apareciam em duplas ou grupos. Geralmente mandavam um mensageiro. HÁ HÁ HÁ …. ledo engano. Odeio covardes. Como eu sempre tive cara de brava, era só abaixar o olhar e fazer cara de marra. Todos desistiam. Os outros garotos nem tentavam. Achavam-me estranha ou chata demais. Hoje eu admito que estavam certos.

 

Aos quatorze dei meu primeiro beijo. Sem comentários.

Aos quinze, meu primeiro namorado. Vou fazer um post separado para esse um dia desses.

Tive uns rolos.

Aos dezessete conheci o Lucas.

Ele me pediu em namoro instantaneamente, quando demos nosso primeiro beijo na fonte do Colégio Dom Bosco.

 

Eu fiz várias provas de vestibular. Não passei em nenhuma. A não ser para fisioterapia na Estácio de Sá. Não conta. Estou fazendo cursinho desde então, já faz três anos. Sim, eu quero medicina. Mas existe em mim uma grande inclinação por escrever, e isso convergeria para jornalismo. Por enquanto, como segunda opção.

 

Depois de tudo isso, acontece.

Eis que eu acordo numa bela manhã de quarta-feira, em mais um 30 de julho. No meu vigésimo aniversário para ser mais exata. E apesar de ser meu dia, tudo acontece da forma mais normal possível. Mesmo porque o mundo não gira ao redor do meu umbigo. Mas enfim. Jamais me imaginei com duas décadas de vida. Puta-merda … estou ficando velha.

 

Parabéns para mim!
Parabéns para mim!
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Vão patentear o Brasil.

Julho 18, 2008

Rio Amazonas

Rio Amazonas

Ao povo brasileiro pertence a terra que habita e são reservados a ele o direito de aproveitá-la para seu sustento sem depredá-la. Os recursos, as riquezas, tudo que nela floresce pertence à nação. A soberania é irrefutável. No entanto, outros países tentam se infiltrar, derrubar, contornar a soberania brasileira utilizando-se de idéias fraternas, com preocupação de cunho ambiental. Caluniosos, escondem seu verdadeiro intuito, a usurpação.

Este falso sentimento é facilmente derrubado. Insinuam, tomamos como exemplo, a desorganização em relação à dirigência do Ministério do Meio Ambiente, contudo, continuam a expelir monóxidos e mais monóxidos. As mesmas nações que reclamam a Amazônia são as que mais depredam e poluem. Neste momento não são recordados os trâmites do Protocolo de Kyoto. De modo que alguns países fatidicamente não adotaram o compromisso de reduzir suas emissões combinadas de gases de efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990 até o período entre 2008 e 2012. O documento promete produzir uma reversão da tendência histórica de crescimento das emissões iniciadas nos países protocolados há cerca de 150 anos. Isso seria se o maior refutador da soberania brasileira em seu “American way of life”, responsáveis por 5,48 emissões per capita tonelada/ ano, admitisse sua fratulência.

A saúde do meio ambiente obviamente pertence à comunidade mundial. Mas, acima disso está o respeito humano. Não se interfere livremente em ecossistemas alheios. Quando concedermos tal invasão em nosso território poderemos reedigir e assinar nosso pacto colonial. Porque então voltaremos à antiga condição de vassalagem.Seria tal que confirmaria nossa incompetência. Já sugerida em publicação no jornal inglês The Independent, “Uma coisa está clara. Essa parte do Brasil (a Amazônia) é muito importante para ser deixada com os brasileiros.” Supomos então que devemos deixá-la nas mãos de esnobes amantes de hipismo e concursos caninos. Depois da pausa para o chá das cinco é claro. Ocorrido isto não perderemos apenas a patente de uma fruta típica, mas sim a patente de um ecossistema inteiro. Vão patentear o Brasil!

Abre o olho, o cupuaçu é nosso!

Abre o olho, o cupuaçu é nosso!

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It’s jazz, baby. Jazz!

Julho 17, 2008

Taras são coisas inexplicáveis e estranhas. As pessoas tem todo o tipo de tara. Um de meus bons e velhos amigos já dizia, o objeto de nossas taras nos completa a vida de maneira surreal e sobrenatural. Ele como um amante assíduo da água, e eu como amante assídua de cheiro de livro (como assim? ela gosta de mofo?!), nos tranqüilizamos com nossas taras respectivas. Ele por água, e eu por… mofo?! Veja aqui o post dele sobre a sua tara aqüífera.

Giuseppe Maria Crespi - Estante com livros

Giuseppe Maria Crespi - Estante com livros

 

 Eu não diria mofo, mas sim, cherio de biblioteca,de papel guardado entendem? Tudo bem, desisto de tentar me fazer justificar.

 

Então eu aqui com minha tara estranha estava voltando para casa depois de entregar uns documentos a pedido de minha queridíssima mãe e patroa temporária. Quando a vitrine de um sebo (o que é um sebo?) me seduziu. Ela umedeceu os lábios e disse: vem!

 

E eu fui. E fui direto para minha sessão predileta. O mundo mágico dos LPs. Normalmente eles colocam um caixote de papelão com discos sem capa e esquecidos, na entrada do sebo mesmo. Mas recentemente deixaram essa mania. É uma pena, encontrava cada coisa lá por apenas R$0,50! Como a caixa de papelão se fez ausente eu disparei loja a dentro. Um sebo não é um lugar exatamente arrumado e limpo, e a Hamurabi não deixa a desejar para o quesito poeira. A sessão de LPs fica perto da sessão de vídeos cassetes, fitas cassetes e quadrinhos (HQs, mangás e quadrinhos brasileiros como Maurício de Souza), é pouco iluminada, aconchegante e tem o cheirinho que mais amo no mundo. Os LPs se dividem em nacionais, internacionais e pelos diversos ritmos musicais. Hoje de manhã em especial me chamou atenção a divisão de jazz. Inicialmente peguei um do Frank Sinatra, mas depois que vi Louis Armstrong, tive uma síncope. Era de uma coleção da Abril Cultural, se chama “Gigantes do Jazz”. No subtítulo está: A personificação do jazz. Meus olhinhos brilharam. Ao lado tem um som com suporte pra disco, para os clientes ouvirem antes de escolher. Pus para tocar. Lindo! Quando olhei para o lado vi um dos Beatles, do ano de 1967 a 1970, tinha Penny Lane, Say Goodbye, e outros mais. Já esse vinha com dois LPs. Debaixo tinha outro deles, mais era dos anos iniciais da banda, também com dois discos. Minha mão coçou para levá-los. Mas Beatles sempre é mais caro. O bom é que vira e mexe sempre aparece um por lá. Eu só tinha 4 reais e o dinheiro do ônibus. Acabei levando só o do Louis mesmo.

Louis Armstrong, o Satchmo.

Louis Armstrong, o Satchmo.

 

 

 

No disco do Louis vinha sua biografia, com quem ele tocou e onde. Não vou por tudo aqui, apenas o início. Ele nasceu em 1900 em New Orleans. E era paupérrimo. Na infância vendia carvão de casa em casa numa carroça puxada a cavalo. Ele via a música das ruas, mas jamais poderia tocar. Ele não tinha grana. Contudo sua hora chegaria. Graças ao preconceito do sul, ele foi parar num reformatório por comemorar o ano novo de 1913 com um tiro para o alto. Lá ele começou a brilhar. Depois começou a trabalhar, como a maioria dos músicos da época e da região, no bairro Storyville, “o bairro das luzes vermelhas”.

Chicago 1922

Storyville

 

 

 

Um lugar visto com desconfiança por ter gente de má índole. Era composto de cabarés, prostíbulos, salões de dança e cassinos. O jazz e o blues corriam soltos. Isso até a Marinha começar a ter problemas por lá. Os marinheiros arrumavam brigas, se embebedavam, faziam filhos, enfim, era um prejuízo em tanto para a 1° GM. Como solução eles evacuaram o lugar. E a leva de músicos migrou em sua maioria para Chicago, incluindo Louis Armstrong. E lá ele continuou brilhando.

Chicago 1922
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Nos embalos de sábado a tarde.

Julho 16, 2008

kamehamehaaaaaaaaaaaaááá !

Meus sábados começavam por volta das oito da manhã. Enquanto meus pais dormiam até um pouco mais tarde e minha irmãzinha Chatila dormia na cama ao lado, eu saía silenciosamente para a sala de tv. Durante a manhã de sábado passavam os desenhos reprisados das manhãs da semana anterior. Já que eu praticamente sempre estudei de manhã.  Via Dragon Ball, Fly, e uns outros que não me lembro agora.

"...pois todo herói de verdade pelo bem sempre tem que lutar!"

Depois vinha os seriados americanos. Assistia Blosson (o jeito dela de se vestir era estranho mas eu adorava, e apesar de muita gente achá-la feia, eu achava ela linda), Felicity, Hércules, Shena, e mais uns outros que também não lembro os nomes, porém com episódios vivíssimos na minha lembrança.

olha que estilo!

 

O almoço se compunha de churrasco, lasagna, macarrão, e os demais pratos que a gente costuma comer nos finais de semana e não durante ela. Depois vinha a sessão jardinagem. Minha família sempre gostou muito de samambaias, avencas, licopódios, brilhantinas, e qualquer outra planta que se possa pendurar em paredes. Isso foi herança da minha avó paterna, a Dona Gracinda. Enfim, nós podávamos, colocávamos húmus, regávamos, trocávamos de xaxim (isso foi antes de eu descobrir que o xaxim era também uma planta, e que pela extração excessiva, estava  ficando extinta). Dávamos toda a atenção e carinho. E elas cresciam vistosas e alegres.

Depois da sessão jardinagem era a hora da catequese. Acho que começava umas duas ou três horas. Eu tomava um banho rapidinho e saía de casa. Andava uma quadra e chegava na igreja. Ao contrário de algumas crianças, eu curtia ir na catequese. Lá eu fazia alguns poucos coleguinhas, coisa que não se repetia com frenqüência na escola. Eu me lembro até do nome da catequista que me acompanhou até a 1ª eucaristia. Era a Tia Judite. De vez em quando eu esbarro com ela na igreja. Ela ainda se lembra de mim, *-* .

Depois da catequese tinha a missa das crianças, com um padre que fazia cosplay de Jesus, o Frei Domingos. Ele tinha cabelos castanhos e compridos até os ombros, eu achava um máximo o frei cabeludo. Pena que hoje ele tenha abandonado o visual. Era legal pakas.

achei isso muito hilário, precisava por aqui!

Eu quase sempre ia na missa de sábado. Sempre conversava. Mas mesmo assim eu prestava atenção na celebração. Outras vezes eu não ia. A opção substituta era passear no jardim dos padres. Atrás do centro catequético e da igreja ficava a casa deles. E tinha, aliás, ainda tem, um jardim com horta e árvores frutíferas. Eu e uma colega nos aventurávamos por lá. Também íamos nos esconder para que a Tia Judite não fosse atrás da gente. Tinha que dar umas voltas por umas casinhas e aí se chegava num cantinho perto do muro da rua, onde tinha um monte de caramujos grudados nas paredes. A gente ficava ali, conversando e esperando a missa acabar para ir para casa. A gente achava que era um lugar secreto. Infelizmente um dia descobrimos que não. Encontramos dois moleques por lá. Desde então não voltamos.

Ao entardecer eu voltava para casa. Esse era o horário de Jornada nas Estrelas. Poxa, como aquilo era bom. A gente assistia a uma bateria de Jornada nas Estrelas. Tínhamos tv a cabo na época, então nós víamos o episódio do dia, a reprise da semana passada, trocávamos de canal e assistíamos outra temporada na tv local.

jamais vi orelhas tão sexys

tudo bem que ele é um andróide, mas precisava ter cor de defunto?

Nossa, as pedras de papelão da versão mais antiga são empagáveis. O Spock (antigão) e o Data (mais novo) eram os melhores.

Meus sábados se compunham mais ou menos disso. À noite a gente saía para a feira central, que na época não era tão higiênica quanto é hoje, ou comia lanche na Mato Grosso/ Afonso Pena. Era tudo simples e mágico. Era perfeito.

Feira Central de Campo Grande, aqui ela está vazia, mas lota no sábado e na quarta.

Feira Central de Campo Grande, aqui ela está vazia, mas lota no sábado e na quarta.

Feira Central de Campo Grande, vista de uma das barraquinhas de sobá.

Feira Central de Campo Grande, vista de uma das barraquinhas de sobá.

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Os loucos de Guarulhos

Julho 15, 2008

Imaginem a situação. Você está caminhando com passos acelerados, com muita pressa. As coisas naquela manhã estavam dando fatidicamente tudo errado, e você precisa chegar em casa rápido para o horário do almoço, engolir algo e sair de novo para a profusão de problemas. E você pensa: “Putz, como eu precisava de uma carona agora!”

Então sobre sininhos tocando e pózinhos brilhantes surgi do nada um carro. A reação normal de qualquer garota seria pensar “oras bolas, mais um idiota me enchendo o saco!” . E foi o que eu pensei. Mas então, pude ouvir vozes do além, na verdade era uma pergunta sobre a região. Queriam saber onde ficava a igreja messiânica daqui. Eu sabia que era ali por perto, mas não saberia explicar. Talvez até fizesse com que eles se perdessem. Muito sem jeito eu disse: “An… eu… sei mais ou menos onde é, mas não saberia explicar direito”. E o que eles disseram? Simples! “Então entra aí e leva a gente lá. Se você morar por aqui nós te deixamos em casa depois.” (Meu Deus… socorro, estou sendo seqüestrada) Eu disse: “Moça, eu não sei não. Estou com muita pressa. Estou no meu horário de almoço. Preciso chegar logo em casa.” A mulher olhou pra mim e de maneira carinhosa perguntou se eu estava com medo. (Não demonstre medo, não demonstre medo, fi-que cal-ma) ” Eu… bem, é que isso não acontece todos os dias. As pessoas pedem informações. Elas não dão carona.” Olhando no interior do carro, vi que haviam pacotes de salgado, garrafas e uma bolsa térmica dessas que a gente leva para viajar. Ao lado da mulher loira, estava no volante um senhor de mais ou menos 50 anos. Estava vestido de bermuda bege e uma polo laranja. Sim, eu reparei em tudo! Precisava disso para a reconstituição, oras! Disseram ser de Guarulhos, estavam se mudando para cá. Vieram para arrumar o início da construção da casa deles. E apenas queriam relaxar  e sentir o johrei. E sabe… eu… entrei. Pronto, fud&¢$ tudo! Podem começar a economizar para o dinheiro do resgate! Provavelmente minha irmã precisaria começar a se prostituir, já que não temos tanta grana. Ou talvez uma troca entre eu e ela seria bem empregado. Já que eu poderia enfim concretizar um de meus sonhos saltando com o sutiã dela por um penhasco bonito. Mas enfim, o casal era legal. E eu tive sorte, muita sorte, de encontrá-los pelo caminho. Eu poderia estar realmente ferrada. Poderiam ser maníacos seqüestradores, traficantes de órgãos, ou como diria meu namorado, os illuminati. Disse que era próximo da casa de uma amiga, a Marcella. E que ela era da mesma igreja que eles. Chegando perto da casa dela percebi que tinha confundindo a tal igreja deles com uma capela católica, a Igreja São Cristóvão. Ai, ai, ai,…. eles vieram de Guarulhos para se perder com uma caipira que mora a doze anos em Campo Grande mais não sabe nada da cidade. Mais então eu tive um insight. Paramos na frente da casa da Marcella, eu desci e desesperadamente perguntei pra ela. Enfim, achamos o tal lugar! Era na mesma rua em que eles me encontraram. Acreditam? Eu passo em frente do lugar sempre que vou a pé para casa e nunca enxerguei que aquilo era uma igreja.

Esse é o templo de São Paulo. A foto foi tirada por Eliária Andrade, para um artigo, chamado “Sete Maravilhas escondidas em São Paulo”  em “O Globo” feito por Luísa Alcalde e Bárbara Souza. A templo daqui é bem mais simples, mas não deixa e ser bonito e aconchegante.

Ainda que não se pareça com uma igreja normal, tinha uma placa visível em letras garrafais: Igreja Messiânica do Brasil. Onde eu assino meu atestado de sonsisse?

Por fim, cheguei em casa. O casal bonzinho foi embora feliz. E eu pude finalmente almoçar.