Priscila:
- O que você sentiu quando eu nasci?
Mãe da Priscila:
- (…) Gases.
Ontem por volta da hora do almoço, eu completei 21 anos.
Bem … com 21 anos minha amada mãezinha já estava casada, semi-formada e tinha um bebê a tira colo.
Com 21 anos tenho amigos(as) que estão se formando e pensando em se casar.
Com 21 anos tenho amigos(as) semi-independentes financeiramente ou que passaram em um dos milhares de concursos públicos, e agora podem mamar tranquilamente nas tetas do governo.
Enfim.
Já faz algum tempo que ando remoendo sobre o que realizei e o que quero realizar nos últimos/próximos anos. E o primeiro pensamento que tive foi: ”Cara, eu estou velha! Preciso fazer tudo o mais rápido possível! Acompanhar o ritmo dos meus amigos.”
Se sentir velha não é sentir alguns anos acumulados. Mesmo porque sou jovem. Mais sim, sentir que sua idade não condiz com suas conquistas.
Uma amiga me disse uma vez que se sentia velha, que estava vendo todos que conhecia se casarem, pessoas da idade dela aliás, e da minha. Acho que entendi o sentimento dela. Porque na maioria dos casos, quem diz se sentir velha, na verdade se senti atrasada. O tempo parece muito pouco para fazer todas as milhares de coisas que queremos.
Mas a questão é … qual o seu tempo, o seu ritmo?
“Eu não tenho diploma algum na mão. E não terei tão cedo. Hum…. adoraria fazer uma pós fora do país. Mas aí, com certeza não estarei casada antes dos trinta. (…) Poxa eu quero ter filhos! Será que vão baratear os custos para congelamento de óvulos? Talvez eu adote(…) Mas uma criança exige muito. E não quero ficar parada num mesmo lugar, quero viajar! (…) Mas também quero ter uma velhice tranquila com netos … ah … mas eu não vou sobreviver só de aposentadoria depois. Vou abrir meu próprio negócio para envelhecer tranquila. E quem sabe eu passo por cima da genética cancerígena, cheia de artroses e artrites, e morro dormindo numa rede com um rouxinol cantando no meio ouvido?”
O fato é, o tempo parece muito curto quando você pára para calcular o quanto será necessário para fazer tudo o que quiser. Ficaria mais tranquila se fosse uma tartaruga, ou que pudesse viver tanto quanto um carvalho.
Mas eu vou viver no máximo até uns 80 ou 90, se der tudo certo. Então eu poderia acelerar as coisas.
*Insight
Poxa, se eu for com pressa vou meter os pés pelas mãos. Eu me conheço. Sinceramente,…. quem se importa com o meu ritmo sou eu mesma. Meu ritmo pode parecer lento para muita gente. Mas que se foda, não vou tomar decisões precipitadas.
Foi pensando nisso que hoje desisti de minha vaga em psicologia.
Eu realmente ia fazer minha inscrição. Estava decidida e com toda a documentação pronta. Meus planos eram: continuar estudando para medicina e fazer a faculdade de psicologia junto, além de administrar a clínica de fisio.
E aí eu iria morrer de estafa e não dormindo com um rouxinol cantando ao lado. Ok, brincadeiras a parte. Prefiro fazer uma coisa bem feita do que várias coisas aos trancos e barrancos. Minha meta é: dar tudo de mim, e não sair do meu foco principal, que é ser médica uma dia. Burrice? Teimosia? O mundo que entenda como bem entender. Vivendo cada dia com afinco eu chego onde quero.
^^V
Parabéns para mim!


















