Quem disse isso foi Manuel da Costa Pereira, em “Histórias de professores e alunos”, no conto chamado “Primeiras leituras”.
Esse conto foi usado como texto de apoio nesse útimo vestibular da UFMS (30/11/08 e 1/12/08). Aliás, motivo da minha úlcera covarde, e principalmente do meu sumiço no blog ( o vestibular, não o texto de apoio).
Agora passando o texto pelo word antes de postar aqui, afinal também sou filha de Deus, percebi deslizes meus impagáveis. Sem contar que citei a frase do tal Manuel no título sem citá-lo no texto explicando de onde sugiu o trecho flutuante. Isso contribuiu para minha úlcera. Posso dizer que estou evoluindo para a fase terminal de tanto auto-ódio (se é que essa palavra existe). A pior parte, na minha opinião, foi o meu “L” adicional em mutilação. Que diabos é “multilação”? Matar alguém por excesso de multas? Cuidado leitores, burrice pega!
Eu só espero que eles (examinadores) tenham levado em conta as minhas aspas. Oxalá eles acreditem que foi recurso estilístico para exemplificar o trauma do aprendizado.
Enfim, eu ponho o texto que fiz para a prova de redação. A proposta era um texto do gênero memória. Coisa que eu entendi como uma maquilagem para crônica autobiográfica.
Lá vai…. seja o que Deus quiser!
“Aprender é uma multilação”.
Os tropeções eram soberbos. Dignos de grandes erros gramaticais. Felizmente quando corro pela folha não mais vejo os “muintos” de meus seis anos. Naqueles dias eu entendia por nasalização o emprego certo de “m” e “n” onde bem entendesse. E ainda hoje, confesso, teimo em separar o tal sujeito do predicado. Doravante entre os percalços de minha infância aprendi a saborear o livre fluxo das palavras no branco do papel.
Como a grande maioria dos adolescentes fui obrigada a ler os clássicos literários para um dia poder ser aprovada em um concurso, dito vestibular. Muitas vezes fora um ato mecânico. Estudava as escolas literárias, lia alguns livros e em seguida havia a prova. Coisas que a estrutura da educação de hoje possui. Mas com a graça de Baco tive loucos como professores. Antropófagos de nascença, capazes de tocar sinfonias em chinelas. Pareciam viver em constantes “insights” e me levavam a papear com todas as pessoas de Pessoa.
Levei o mundo da literatura e das sinestesias de Clarice para meus textos dissertativos. Nesse dia, a um canto da sala, minha professora de redação tomou-me para uma observação. Disse elogios sobre minhas curvas linhas. Mas ressaltou que em uma dissertação só havia espaço para linhas retas, bem concatenadas e lógicas onde a razão e objetividade gritavam em tamancos. Disse de meu texto subjetivo e um excesso de rococós. Mas era ela a clássica e barroca. Se havia alguém tomado de rococós não era eu, e sim a professora escondida debaixo da formalidade. Eu por outro lado expuz a alma e me escancarei no clímax, dita conclusão da dissertação.
Só que para meu desgosto ela estava certa. Há gêneros e gêneros e eu precisava segurar minhas euforias em textos mais comportados. Enfim aprendi a dissertar, mas amava o ritmo da crônica e a narrativa livre. Mesmo presa em gráficos e dados concretos fiz de minhas conclusões dissertativas pequenos manifestos, eu peguei a barata do conto de Clarice e a degluti para enfim ver “os mares nunca d’antes navegados”.



