Lady I.
Quando o céu desabar em luzes e o chão pegar fogo, e tudo ficar com gosto de sangue e dor, saiba meu amor, estarei com você. Não importa o tamanho do colosso que te ataca, o degolarei e brindaremos a isso.
Se a morte sorrir para você, a esmurrarei e lhe roubaremos as vestes negras. Com ela cobriremos nossos corpos nus durante à noite.
Sou um semi-deus por tais feitos heróicos?
Se sou, é por causa da ambrosia de seus lábios, é por causa de seu olhar inquisidor, é por causa de seu corpo que me prende em suas pernas.
Caminharemos pelo mundo e nada nos abaterá, nem a fúria de anos vindouros. Pode vir o mundo, estarei pronto para quebrar-lhe todos os ossos, aniquilar tudo e todos que se impuserem em nossa trilha. Às nossas costas formá-se-ão poças de sangue, vívido e doce. À nossa frente manteremos caminho livre e de possibilidades infinitas para nossa paixão.
Sir T.
Escrevi essa carta me baseando no conto lendário de Tristan e Isolda.
A lenda em si remonta ao século IX, mas suas versões escritas apareceram apenas por volta do século XII em várias culturas medievais. Dentre as mais antigas fontes e versões está a advinda do folclore celta do norte francês.
Dois poetas da época, Tomás da Inglaterra e Béroul detêm os primeiros textos mais conhecidos e, apesar de pequenas diferenças, ambos possuem a essência da história.
Secundariamente a esses dois autores, há muitas outras versões. Há inclusive uma versão arturiana do século XIII que inclue Tristan em um texto chamado “vasta prosa de Tristão” como um dos reis presentes à Távola Redonda. Participa também curiosamente da busca pelo santo graal. Logicamente que o triângulo amoroso entre Rei Arthur, Rainha Guinevere e Sir Lancelot está presente também, como um autêntico conto arturiano.
O.O’
A lenda influenciou também muitas obras posteriores, como os poemas de Arthur Brooke, de 1562, que por sua vez influenciou William Shakespeare, dramaturgo do século XVI, em “Romeu e Julieta”.
E claro, também sensibilizou, entre 1857 e 1859, Richard Wagner, um fodástico compositor alemão, detentor da autoria de “cavalgada das valquírias”, que compõe Tristão e Isolda, ópera em três atos, baseada na lenda.
Finalmente tudo foi parar no cinema. Primeiro em preto e branco, em 1909, no cinema mudo francês, intitulado “Tristan et Yseult”. Depois em “O Eterno Retorno”, em 1948, uma versão um tanto moderna para os parâmetros medievais do mito. E finalizando, em 2006, produzido por Ridley Scott, e estrelado por James Franco, o filme “Tristan & Isolde”.






