Tudo começou na Santa Casa de Presidente Prudente. Lá pelas tantas do almoço eu dei as caras. Eram 30 de julho de 1988. Um dia um tanto frio. Levei a palmada na bunda de praxe e fui com a cara e a coragem para esse mundo de merda. Um rechonchudo bebê como eu não poderia adivinhar a enrascada em que se meteu. Foi uma troca injusta! Um útero fofinho e quente, comida de graça, sem preocupações. E segundos depois estou sendo espancada por um cara mascarado. Socorro! Exijo ser ressarcida!
Tive uma infância gostosa e sadia. Machuquei-me, pulei muros, mamei mamadeira até meus oito anos (meu sorriso não deixa mentir, XB). Enfim, vivi alegremente em Prudente com meus avós, tios e tias, e toda a orla de primos até fevereiro de 1996. Então em vim para Campo Grande depois de uma crise que meu pai teve nos negócios.
Começamos praticamente do zero. E em nosso caminho surgiram pessoas legais que serviram de boas muletas.
Entrei no segundo ano do primário no Colégio Mace. Não me adaptei muito com as crianças de lá. Não tinha muitos amigos, não saía de casa para ir à casa de outras crianças, nem mesmo as do bairro. As únicas crianças com quem brincava eram da igreja. Todas as terças eu tinha um grupinho para soltar a franga. E eu me contentava em ficar rodando bobamente em volta do meu próprio corpo. Era essa uma de nossas brincadeiras. Sim, eu era uma criança feliz.
Não gostei da cidade até uns cinco anos em que morei aqui. A partir daí me acostumei e até fiz alguns amiguinhos.
Eu fui crescendo. Entrei na puberdade e… onde estão os garotos? Bem, eu não era muito aberta a esse tipo de coisa. Repelia todos eles. Aliás, os poucos que me apareciam. Lembro de uma coisa. Eu estava conversando com um menino da sala de aula e ele perguntou se eu não tinha ficado com ninguém. Eu disse: ”Claro, eu estou com você agora.” Oh, pobre inocente. Tirando esses “furos” acho que me sai bem nos poucos foras que dei. Eles sempre apareciam em duplas ou grupos. Geralmente mandavam um mensageiro. HÁ HÁ HÁ …. ledo engano. Odeio covardes. Como eu sempre tive cara de brava, era só abaixar o olhar e fazer cara de marra. Todos desistiam. Os outros garotos nem tentavam. Achavam-me estranha ou chata demais. Hoje eu admito que estavam certos.
Aos quatorze dei meu primeiro beijo. Sem comentários.
Aos quinze, meu primeiro namorado. Vou fazer um post separado para esse um dia desses.
Tive uns rolos.
Aos dezessete conheci o Lucas.
Ele me pediu em namoro instantaneamente, quando demos nosso primeiro beijo na fonte do Colégio Dom Bosco.
Eu fiz várias provas de vestibular. Não passei em nenhuma. A não ser para fisioterapia na Estácio de Sá. Não conta. Estou fazendo cursinho desde então, já faz três anos. Sim, eu quero medicina. Mas existe em mim uma grande inclinação por escrever, e isso convergeria para jornalismo. Por enquanto, como segunda opção.
Depois de tudo isso, acontece.
Eis que eu acordo numa bela manhã de quarta-feira, em mais um 30 de julho. No meu vigésimo aniversário para ser mais exata. E apesar de ser meu dia, tudo acontece da forma mais normal possível. Mesmo porque o mundo não gira ao redor do meu umbigo. Mas enfim. Jamais me imaginei com duas décadas de vida. Puta-merda … estou ficando velha.

- Parabéns para mim!