Posts de Agosto, 2008

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Um quadrúpede motorizado

Agosto 29, 2008

Eis a cena.

Estamos entrando numa rotatória, no carro, meu pai e eu.

Quando estamos começando a fazer a curva, um motoqueiro mergulha na frente do carro.

Ele derrapa, mas não cai.

Ele pára a moto, desci dela, sai xingando e mete seu pezão de quadrúpede no NOSSO retrovisor esquerdo.

 

Embora eu estivesse com muita vontade de rebaixá-lo ao nível do chão, meu pai permaneceu inflexível no banco do motorista. Pediu para anotar a placa do infeliz. Eu o fiz, desejando esganar o dito motoqueiro.

 

Primeiro que a reação do meu pai foi quase divina. Segundo que a minha, ao contrário, foi quase gutural. Um fenômeno estranho, geralmente os papéis são o contrário. Ele esbraveja no volante e eu fico na minha.

 

Agora vamos definir o que eu senti.

Não posso dizer em palavras, por mais que eu tente, o quanto de raiva surgiu de ímpeto dentro de mim. Quando disse que minha vontade era esganar o paquiderme, não foi por força de expressão. Adoraria por minhas pequenas mãos nele e pressionar com toda a minha força aquilo que ele chama de pescoço.

 

Posso me tornar bastante agressiva quando alguém consegue atingir minhas camadas mais profundas. Infelizmente aquele pseudo-homem com rodas conseguiu me deixar realmente furiosa. Ainda estou fervendo, mas uma parte de mim diz: “Pobre idiota, o infeliz não tem grana para um carro nem para combústivel, e com certeza deve ter achado o máximo deixar o ‘busão’ de lado para ter uma ‘bicicleta com motor’”.

 

Mas só Deus sabe, que pela integridade física dele, deveria voltar a andar de ônibus, e ficar bem longe de mim.

^ ^

 

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Ruas estreitas, ladeiras por todos os lados, estou em casa.

Agosto 26, 2008

Presidente Prudente

Presidente Prudente

 

 

 

Panturrilhas saradas. Definitivamente, se reconhece um prudentino por suas panturrilhas. Ô ladeiras lazarentas! E que ruas! As ruas são tão estreitas quanto as ruelas de Portugal, vá ser apertadinho assim no escafundó de Judas!

 

As casas são amontoadas em cima das outras, como é comum no estado de São Paulo, as ruas são estreitas (e as calçadas também),e posso dizer literalmente que a vida de alguém que more em Presidente Prudente é cheia de altos e baixos. Apesar disso eu gosto (um pouco) daqui. Minha família está aqui. Parte da minha infância ficou aqui. Posso rever minhas tias e tios, parte dos meus primos e ver os móveis que meus avós deixaram. Posso enxergar partezinhas deles aqui e acolá, na cômoda, na prateleira, nos armários, na louça antiga. Eu respiro tudo isso e me dá muita calma. O ar entra morno e com cheiro de café fresco e bolinhos de chuva.

 

Viajei nesse último sábado (23/08/2008) logo depois do almoço. São cinco horas de viagem. O asfalto é terrível e o pedágio é um ultraje à minha inteligência. A paisagem se consiste em plantações, pastagens e cerrado. É legal atravessar o Rio Paraná e sentir passar as fendas de dilatação da ponte. Também é curioso ver a capacidade do paulista para fazer presídios. Nessa região têm muitos. Mas é legal vê-los à noite. Eles brilham dizendo: ”Estamos consertando o mundo amontoando a corja humana. Vejam como nosso senso de justiça é supremo e inabalável!” Um tanto irônico, infelizmente. Outro fato interessante é o oeste paulista ser recheado de presidentes. Presidente Bernades, Presidente Venceslau (me corrijam se eu estiver errada, até hoje não sei se é com ‘v’ ou com ‘w’, e mais um monte de gente também, porque de um lado do trevo o nome está com ‘v’ e do outro está com ‘w’), Presidente Epitácio, Presidente Prudente. A República Velha é lá, sem sombra de dúvida. Ah sim … tem uma coisa em Prudente porém que eu nunca vi em nenhum outro lugar. Essa iguaria magnífica se chama molho verde. É simplesmente maionese temperada com cheiro verde e um dente de alho, mas posso dizer que isso no lanche faz loucuras com suas papilas gustativas.

 

Cheguei por volta das oito horas. E fui muito bem recebida por uma de minhas tias, Conceição Aparecida, que arrumou uma boa mesa de café pra receber a gente. Os dias que se seguiram foram na companhia de parentes na qual muita saudade foi morta a golpes de foice. E de quebra conheci a mais nova integrante da família, Maria Clara. Seja bem-vinda linda!

 

Hoje à tarde fomos ao centro da cidade para ver vestidos de festa e outras coisinhas. Estava quente e tinha muita gente nas calçadas. Para desviar delas tínhamos que dar a volta passando por trechos de asfalto. Sim, cabem três pessoas lado a lado na calçada.

… u.u

Vimos vestidos lindos, mas mesmo o nosso bom gosto não nos qualifica como dondocas para derramar tanto dinheiro assim trivialmente. Sim, estenda que eles eram caros. Mas talvez não. Nós é que somos quebradas… u.u

Enfim…

Eis que voltamos para a casa da minha tia. Desde então me sentei aqui de fronte ao pc do meu primo (que por sorte foi pra faculdade e deixou o pc livre) e tomei vergonha na cara o bastante para atualizar as coisas por aqui.

 

Devo voltar amanhã depois “das duas da tarde”, dar adeus aos presídios brilhantes, as ruelas daqui, a minha família perfeita, e depois de cinco horas de viagem, estarei de volta a minha amada Campo Grande. Longe da minha família, mas perto de amigos queridos, pessoas brilhantes e o Srº Lucasmetidoasabichãoqueeuamomuito.

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Retrospectiva dos vinte.

Agosto 1, 2008

Tudo começou na Santa Casa de Presidente Prudente. Lá pelas tantas do almoço eu dei as caras. Eram 30 de julho de 1988. Um dia um tanto frio. Levei a palmada na bunda de praxe e fui com a cara e a coragem para esse mundo de merda. Um rechonchudo bebê como eu não poderia adivinhar a enrascada em que se meteu. Foi uma troca injusta! Um útero fofinho e quente, comida de graça, sem preocupações. E segundos depois estou sendo espancada por um cara mascarado. Socorro! Exijo ser ressarcida!

 

Tive uma infância gostosa e sadia. Machuquei-me, pulei muros, mamei mamadeira até meus oito anos (meu sorriso não deixa mentir, XB). Enfim, vivi alegremente em Prudente com meus avós, tios e tias, e toda a orla de primos até fevereiro de 1996. Então em vim para Campo Grande depois de uma crise que meu pai teve nos negócios.

 

Começamos praticamente do zero. E em nosso caminho surgiram pessoas legais que serviram de boas muletas.

 

Entrei no segundo ano do primário no Colégio Mace. Não me adaptei muito com as crianças de lá. Não tinha muitos amigos, não saía de casa para ir à casa de outras crianças, nem mesmo as do bairro. As únicas crianças com quem brincava eram da igreja. Todas as terças eu tinha um grupinho para soltar a franga. E eu me contentava em ficar rodando bobamente em volta do meu próprio corpo. Era essa uma de nossas brincadeiras. Sim, eu era uma criança feliz.

 

Não gostei da cidade até uns cinco anos em que morei aqui. A partir daí me acostumei e até fiz alguns amiguinhos.

 

Eu fui crescendo. Entrei na puberdade e… onde estão os garotos? Bem, eu não era muito aberta a esse tipo de coisa. Repelia todos eles. Aliás, os poucos que me apareciam. Lembro de uma coisa. Eu estava conversando com um menino da sala de aula e ele perguntou se eu não tinha ficado com ninguém. Eu disse: ”Claro, eu estou com você agora.” Oh, pobre inocente. Tirando esses “furos” acho que me sai bem nos poucos foras que dei. Eles sempre apareciam em duplas ou grupos. Geralmente mandavam um mensageiro. HÁ HÁ HÁ …. ledo engano. Odeio covardes. Como eu sempre tive cara de brava, era só abaixar o olhar e fazer cara de marra. Todos desistiam. Os outros garotos nem tentavam. Achavam-me estranha ou chata demais. Hoje eu admito que estavam certos.

 

Aos quatorze dei meu primeiro beijo. Sem comentários.

Aos quinze, meu primeiro namorado. Vou fazer um post separado para esse um dia desses.

Tive uns rolos.

Aos dezessete conheci o Lucas.

Ele me pediu em namoro instantaneamente, quando demos nosso primeiro beijo na fonte do Colégio Dom Bosco.

 

Eu fiz várias provas de vestibular. Não passei em nenhuma. A não ser para fisioterapia na Estácio de Sá. Não conta. Estou fazendo cursinho desde então, já faz três anos. Sim, eu quero medicina. Mas existe em mim uma grande inclinação por escrever, e isso convergeria para jornalismo. Por enquanto, como segunda opção.

 

Depois de tudo isso, acontece.

Eis que eu acordo numa bela manhã de quarta-feira, em mais um 30 de julho. No meu vigésimo aniversário para ser mais exata. E apesar de ser meu dia, tudo acontece da forma mais normal possível. Mesmo porque o mundo não gira ao redor do meu umbigo. Mas enfim. Jamais me imaginei com duas décadas de vida. Puta-merda … estou ficando velha.

 

Parabéns para mim!
Parabéns para mim!