
Os loucos de Guarulhos
Julho 15, 2008Imaginem a situação. Você está caminhando com passos acelerados, com muita pressa. As coisas naquela manhã estavam dando fatidicamente tudo errado, e você precisa chegar em casa rápido para o horário do almoço, engolir algo e sair de novo para a profusão de problemas. E você pensa: “Putz, como eu precisava de uma carona agora!”
Então sobre sininhos tocando e pózinhos brilhantes surgi do nada um carro. A reação normal de qualquer garota seria pensar “oras bolas, mais um idiota me enchendo o saco!” . E foi o que eu pensei. Mas então, pude ouvir vozes do além, na verdade era uma pergunta sobre a região. Queriam saber onde ficava a igreja messiânica daqui. Eu sabia que era ali por perto, mas não saberia explicar. Talvez até fizesse com que eles se perdessem. Muito sem jeito eu disse: “An… eu… sei mais ou menos onde é, mas não saberia explicar direito”. E o que eles disseram? Simples! “Então entra aí e leva a gente lá. Se você morar por aqui nós te deixamos em casa depois.” (Meu Deus… socorro, estou sendo seqüestrada) Eu disse: “Moça, eu não sei não. Estou com muita pressa. Estou no meu horário de almoço. Preciso chegar logo em casa.” A mulher olhou pra mim e de maneira carinhosa perguntou se eu estava com medo. (Não demonstre medo, não demonstre medo, fi-que cal-ma) ” Eu… bem, é que isso não acontece todos os dias. As pessoas pedem informações. Elas não dão carona.” Olhando no interior do carro, vi que haviam pacotes de salgado, garrafas e uma bolsa térmica dessas que a gente leva para viajar. Ao lado da mulher loira, estava no volante um senhor de mais ou menos 50 anos. Estava vestido de bermuda bege e uma polo laranja. Sim, eu reparei em tudo! Precisava disso para a reconstituição, oras! Disseram ser de Guarulhos, estavam se mudando para cá. Vieram para arrumar o início da construção da casa deles. E apenas queriam relaxar e sentir o johrei. E sabe… eu… entrei. Pronto, fud&¢$ tudo! Podem começar a economizar para o dinheiro do resgate! Provavelmente minha irmã precisaria começar a se prostituir, já que não temos tanta grana. Ou talvez uma troca entre eu e ela seria bem empregado. Já que eu poderia enfim concretizar um de meus sonhos saltando com o sutiã dela por um penhasco bonito. Mas enfim, o casal era legal. E eu tive sorte, muita sorte, de encontrá-los pelo caminho. Eu poderia estar realmente ferrada. Poderiam ser maníacos seqüestradores, traficantes de órgãos, ou como diria meu namorado, os illuminati. Disse que era próximo da casa de uma amiga, a Marcella. E que ela era da mesma igreja que eles. Chegando perto da casa dela percebi que tinha confundindo a tal igreja deles com uma capela católica, a Igreja São Cristóvão. Ai, ai, ai,…. eles vieram de Guarulhos para se perder com uma caipira que mora a doze anos em Campo Grande mais não sabe nada da cidade. Mais então eu tive um insight. Paramos na frente da casa da Marcella, eu desci e desesperadamente perguntei pra ela. Enfim, achamos o tal lugar! Era na mesma rua em que eles me encontraram. Acreditam? Eu passo em frente do lugar sempre que vou a pé para casa e nunca enxerguei que aquilo era uma igreja. 
Esse é o templo de São Paulo. A foto foi tirada por Eliária Andrade, para um artigo, chamado “Sete Maravilhas escondidas em São Paulo” em “O Globo” feito por Luísa Alcalde e Bárbara Souza. A templo daqui é bem mais simples, mas não deixa e ser bonito e aconchegante.
Ainda que não se pareça com uma igreja normal, tinha uma placa visível em letras garrafais: Igreja Messiânica do Brasil. Onde eu assino meu atestado de sonsisse?
Por fim, cheguei em casa. O casal bonzinho foi embora feliz. E eu pude finalmente almoçar.
Priscila,
Você é doida!
Não que eu também não seja, mas pelo menos nunca peguei carona com desconhecidos e os fiz gastar gasolina à toa!
oras… eles chegaram onde queriam, não chegaram?
Por que os messianicos são tão ruins e traiçoeiro principalmente os de Guarulhos.
Por que eles tem o prazer de Humilhar e pisar nas pessoas achando que são os donos do mundo